O garoto de seis anos tinha uma
tesoura cravada no lado esquerdo da cabeça, a cena era assustadora pois junto
com a tesoura um monte de linha de nylon o que dificultava qualquer
procedimento. Principalmente aquele que era primordial no momento; estabilizar
a tesoura para que não se movesse. Enquanto tentava “limpar” a tesoura da linha
que a envolvia, ia conversando com o garoto, que me contou se chamar “J”, ter
seis anos e que estava brincando de “relinho”
com o primo quando a linha quebrou e a tesoura entrou na cabeça dele. Plantão de Enfermagem
"O que se opõe ao descuido e ao descaso é o cuidado. Cuidar é mais que um ato; é uma atitude. Portanto, abrange mais que um momento de atenção. Representa uma atitude de ocupação, preocupação, de responsabilização e de envolvimento afetivo com o outro." Leonardo Boff
sexta-feira, 30 de março de 2018
Brincadeira de criança.
O garoto de seis anos tinha uma
tesoura cravada no lado esquerdo da cabeça, a cena era assustadora pois junto
com a tesoura um monte de linha de nylon o que dificultava qualquer
procedimento. Principalmente aquele que era primordial no momento; estabilizar
a tesoura para que não se movesse. Enquanto tentava “limpar” a tesoura da linha
que a envolvia, ia conversando com o garoto, que me contou se chamar “J”, ter
seis anos e que estava brincando de “relinho”
com o primo quando a linha quebrou e a tesoura entrou na cabeça dele. domingo, 25 de fevereiro de 2018
Valeu a pena.
"Quando você decidir fazer alguma coisa, faça o seu melhor e faça até o fim." Surama Jurdi
Um entregador de pizzas estava caído ao chão depois
de ter a moto atingida por um carro. Muita gente em volta e a vítima chorando
de dor."Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir
Pela fumaça e a desgraça que a gente tem que tossir
Pelos andaimes pingentes que a gente tem que cair
Deus lhe pague" Chico Buarque de Holanda
quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018
Vão-se os anéis...
Vão-se os anéis...
Paciência e perseverança tem o efeito mágico de fazer as dificuldades desaparecerem e os obstáculos sumirem. John Quincy Adams
terça-feira, 20 de fevereiro de 2018
Que tiro foi esse?
“Uma subida daquelas
que pra descer precisa de apoio”, e pra subir precisa de pernas. Mão na prancha,
agradecendo o fato do rapaz ser magro, quase caquético, e vamos em frente.quinta-feira, 10 de julho de 2014
Terça, depois da derrota...
“Quando o trabalho é prazer, a vida é uma grande alegria. Quando o trabalho é dever, a vida é uma escravidão.” ― Máximo Gorki
Se todo o ano fosse de férias alegres, divertirmo-nos tornar-se-ia mais aborrecido do que trabalhar. William Shakespeare
domingo, 9 de março de 2014
Sábado: Gostando do que fazemos…
"O segredo do sucesso não é fazer o que se gosta, mas sim gostar do que se faz. " Cecília Meireles
Ainda não eram 18h00min quando cheguei à base. Estacionei a moto e me dirigi ao estar com meus livros e bolsa. A tarde está tranquila. Procurei pelo LC a fim de liberá-lo e não o avistei então fiquei por ali. Foram pouco mais de dez minutos entre minha chegada e o chamado do radio operador. Anotei o chamado e o LC apareceu:
- Pode deixar J, eu vou.
- Negativo. Vai lavar a louças em casa. Deixa comigo.
Saímos. MC, MR e eu. Respectivamente: médico, condutor, e enfermeiro. Mas o MC não vai ficar, é seu último chamado do dia à noite virá outro médico, SG com quem gosto de trabalhar.
Chegamos ao local, uma comunidade carente e tivemos que deixar a viatura uns 500 metros da casa da vítima e seguir a pé por trilhas, pontes e becos até encontrar uma senhora de 45 anos já morta. Não havia o que fazer e os parentes já sabiam disto, mas a situação era tensa: O enteado estava revoltado:
- Eu liguei o dia todo e o médico do SAMU disse que não ia mandar a ambulância, se tivesse mandado ela estaria viva.
Senti o clima tenso e pedi para o MC acelerar o trabalho de constatação e ele, muito sabiamente, decidiu terminar seu relatório na viatura.
Voltamos para base tentando entender o ocorrido. Mas somente quem participou conseguiria dizer o porquê não mandou a ambulância.
Na base o SG já nos espera e o LC ainda não foi embora, vai aguardar a esposa então aproveitamos para trocar umas ideias e colocar o papo em dia.
Novo chamado, jovem de 22 anos baleado na cabeça. Outra comunidade. Fomos para o local e encontramos um rapaz caído na calçada com um ferimento na nuca.
- Ele tem pulso, informou o SG.
- Então vamos tirar daqui – falei, já preocupado com a multidão que se formava.
Na viatura o SG entubou o rapaz e eu puncionei uma veia. Não tínhamos muitas esperanças no seu prognóstico mas precisávamos fazer nossa parte. No caminho para o hospital ele teve uma PCR, tentamos a reanimação, sem sucesso. Entramos no primeiro hospital que avistamos, o mesmo onde trabalhei por anos, mas não havia mais o que fazer. Apenas entregar o corpo.
Revi as meninas, Glória, SH, AL, MN e VC, quanto orgulho sinto ao vê-las trabalhando, se esforçando para fazer o impossível dentro de uma situação onde o que mais falta são condições de trabalho.
Não demorou e o chefe de plantão, que eu já conheço de outros carnavais, veio questionar o porquê levamos o paciente para lá.
- O hospital X é mais perto.
- Dr, para o senhor não tem mais perto. O Sr trabalha nos dois. Quando está lá diz que o mais perto é aqui e aqui diz que é lá. O problema é que não quer trabalhar. O paciente já está aqui. Nossa parte está feita. – respondi com minha habitual cortesia e sai para evitar estragar minha noite.
Tomei um café da AD, limpamos a viatura e voltamos para base. Mas mal deu tempo de descansar. Uma viatura de suporte básico pediu apoio e lá fomos nós. No local um motociclista foi atingido por um carro, está mal, Glasgow 03, sua perna esquerda muito comprometida e sem perfusão no pé. A FN, enfermeira, está na viatura e nos ajuda a estabilizar o rapaz. Intubação, acesso venoso, realinhamento do membro, muito trabalho e do tipo que gostamos. Em alguns minutos, estamos chegando ao hospital... Deixamos o rapaz, passo o caso para o enfermeiro e vamos limpar a viatura que está lavada de sangue. Destino: base.
Na base, me dedico a repor os materiais enquanto o MR limpa nossa prancha. Ainda não terminara a reposição quando ouvi o rádio chamar. Não acreditei mas ao olhar em volta e constatar que não tinha outra viatura na base, atendi.
- Viatura 2027, prossiga.
- Chamado para a equipe. Feminino, 30 anos…
Lá fomos nós. Em pouco tempo o MR chegou. Encontramos uma mulher deitada no sofá com sangue da cabeça aos pés. Colocamo-la no chão e ao examinar melhor percebemos o tamanho do estrago. Ela tinha perfurações por arma branca em todo o corpo. Umas mais outras menos profundas. Costas, tórax, braços, pernas e abdômen.
- O que aconteceu? Perguntei.
- Ela tomou umas facadas do marido – respondeu um morador com uma desconcertante calma.
O marido agressor ainda estava ali, calado, olhando tudo e nos tirando a concentração . Precisávamos sair dali.
Um ferimento na região cervical e outro no dorso eram os que mais nos preocupavam. Levamos para a viatura, acesso venoso e quando ia fazer a medicação para dor, percebi que o sangramento aumentou. O soro que entrava pelo acesso venoso, saia mais a frente em um ferimento. Não pensei duas vezes, saquei um 14 e puncionei a jugular.
- Aí sim, elogiou o SG.
- Não tem outro. Os braços estão sem condições.
Saímos de lá e rumamos par o hospital onde deixamos o motoqueiro. Nosso plantão já era e o café que eu tinha marcado com a VC também, a ambulância para ser chamada de suja teria que melhorar muito. Mas uma sensação de dever cumprido tomava conta da equipe.
- Você está melhor? – perguntou o SG á vítima.
- Graças a vocês sim. Vocês são uns anjos.
- Nós somos F####, deixei escapar.
- São mesmo concordou a moça que pela primeira vez sorriu.
No hospital, passamos o caso e ficamos sabendo que o motociclista teve a perna amputada mas está vivo e sem outras sequelas. Dos males, o menor.
Ainda temos que limpar a ambulância e voltar para base, como diria DN “Em status DEZ, Dezmaterializados, dezcabelados, dezmontados” mas motivados.
Chego à base, passo meu plantão para o RD que logo recebe outro chamado e sai.
Hora de ir embora, preparo a moto e fico por alguns instantes olhando para ela como a tomar coragem para montar… fui. A vida continua
"Fazer o que você gosta é liberdade. Gostar do que você faz é felicidade." Frank Tyger
sábado, 1 de março de 2014
Sexta feira: começou o carnaval...
Depois de muito tempo, voltamos à base, já é madrugada e novo
chamado nos aguarda. Uma senhora de 84 anos com AVC. Fomos para lá e encontramos
uma idosa hígida, e com dificuldade para urinar. Não é caso de hospital,
orientamos e retornamos á base.












