Sucesso é questão de ATITUDE.
"Quando você decidir fazer alguma coisa, faça o seu melhor e faça até o fim." Surama Jurdi
Ainda não tínhamos terminado a conferência da
viatura quando o rádio chamou para atendermos um idoso de 78 anos com problemas
respiratórios.
Peguei minha mochila e me dirigi para viatura onde
SV, condutor, e NT já me esperavam.
- É pra derreter? – perguntou o condutor, se
referindo à gravidade.
- Manda ver, pois problema respiratório em idoso,
normalmente é ruim... – respondi como que antevendo o que encontraríamos no
local.
O SV não economizou. Em quatro minutos chegamos no
endereço.
Lá a primeira coisa que lembro ter pensado foi: “ P*q*p*
que escadaria”.
Vencida a escadaria encontramos um senhor que, deitado,
aparentava um desconforto respiratório importante enquanto fazia uma inalação
preparada pelos familiares. Logo no início da avaliação percebemos que a coisa
não ia evoluir bem. Saturação de oxigênio em menos de 80%, coração a mais de
140 batimentos e uma cianose labial que denunciava a ineficiência do esforço
respiratório.
Não demorou muito, a respiração foi piorando e em
pouco tempo o paciente entrou em parada cardíaca. Nesta hora a primeira coisa
que me veio à cabeça foi:
“Não é possível, não vamos começar o plantão com
óbito”.
A NT rapidamente iniciou as compressões enquanto eu
preparava e introduzia a máscara laríngea. Tudo sincronizado, tudo no tempo
certo como se tivéssemos ensaiado (bem, na verdade, ensaiamos). Após alguns
minutos na primeira checagem de pulso após a adrenalina sinto a carótida pulsar
sob meus dedos.
-Ele tem pulso. – Comuniquei - NT, confirme com a
regulação o que querem que a gente faça. Se vamos remover ou aguardar o suporte
avançado.
A NT foi ao rádio e voltou com a ordem de que
devíamos aguardar a chegada do suporte avançado, que não demorou.
Com a chegada da USA era hora de enfrentar a
escadaria. Nosso paciente não era leve e a escada enorme. Na USA estavam a MR,
enfermeira, CO, médico e o CT, nosso condutor que hoje nos “abandonara”. Pedi
para NT “arrumar as coisas” com a finalidade de poupá-la da escadaria, já que
da última vez ela sofreu bastante com nossas mochilas enquanto tirávamos um
baleado de um “buraco”.
Com algum sacrifício, descemos o paciente e o
embarcamos na viatura. Neste momento ele saturava 100% e tinha pressão de 80X60.
Agora é com eles.
Chamei a NT com os dedos e quando ela se aproximou
disse:
- Toque aqui. Parabéns menina, você foi top.
- Obrigada,
você também.
Missão cumprida. Enquanto voltávamos ia pensando no quanto fazemos diferença na vida das pessoas. Mesmo que elas não reconheçam, mesmo que muitas vezes não tenhamos nosso trabalho valorizado, a verdade é que definitivamente, fazemos a diferença.
Vamos pra base repor material e
energias.
Só que não, ainda não tínhamos reposto o material
quando chamara na porta base. Um acidente de moto perto dali precisava de
atenção. Pedimos autorização e pelo rádio e fomos para lá.
Um entregador de pizzas estava caído ao chão depois
de ter a moto atingida por um carro. Muita gente em volta e a vítima chorando
de dor.
Aparentemente ele conseguira uma fratura exposta na
perna e algumas escoriações. Enquanto o motorista tentava convencer a todos de
que ele não estava errado.
Fizemos a nossa parte, colocamos o rapaz na viatura
e rumamos para o hospital.
No caminho tentávamos distrair o rapaz que com medo
pedia pra segurar a mão da NT, e olha que a esposa dele estava junto.
- Você é São paulino – perguntei.
- Tá doido? Sou “coríntia” – respondeu o rapaz.
- Vai falar mal do São Paulo? – perguntou a NT – Se
for já avisa que o chefe esqueceu de passar esta fratura da mão.
- Não, imagina – respondeu o rapaz, entrando na
brincadeira – o São Paulo é um bom time
Risos. Chegamos ao hospital.
Missão cumprida!
"Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir
Pela fumaça e a desgraça que a gente tem que tossir
Pelos andaimes pingentes que a gente tem que cair
Deus lhe pague" Chico Buarque de Holanda

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