Temos de fazer o melhor que podemos. Esta é a nossa sagrada responsabilidade humana. Albert Einstein
pmdv
Faltam poucos minutos para as seis da tarde quando encosto a moto em sua vaga quase reservada. Uma garoa fina parece mostrar que a noite vai ser fria, o que é um pressagio de pouco movimento. Ainda estou a arrumar as coisas quando a VC me diz, pelo celular, que não conseguirá chegar a tempo de pegar o plantão. Com a MC de folga e a AND entrando as oito não resta ninguém para assumir o plantão do PS a não ser eu mesmo.
Mochila nas costas, capacete na mão e lá vou eu em direção ao Pronto Socorro. Ao chegar na porta vai e vem a vontade de girar sobre os calcanhares e bater em retirada foi enorme. A visão do caos. Mas já que está atravessando o inferno, continue andando. Recebi o plantão já com a companhia da VC.
Na sala de emergência se encontravam uma mulher de 42 anos com morte encefálica, aguardando o protocolo para transplante de órgãos, outra de 50 renal crônica descompensada, um senhor de 77 com ICC e um jovem de 20 simulando crise convulsiva.
Nos quartos nenhuma novidade, os mesmos pacientes do último plantão com uma ou outra mudança. Agora o corredor, ah o corredor a verdadeira visão do inferno, com macas espalhadas para todos os lados e uma profusão de pacientes e acompanhantes que a primeira pergunta é; Por onde eu começo?
Entre braços, pernas e fêmures fraturados, vamos encontrar idosos com demências, síndromes de abstinências diabéticos e doentes cardiovasculares. ![]()
Nosso plantão começa e a esta altura as pinguins AL e PT já estão a todo vapor no corredor colocando ordem na casa.
Na emergência a LC mostra o quanto tem amadurecido profissionalmente está sozinha e mesmo assim corre para manter a sala em ordem pronta para atender qualquer situação.
Somente mais tarde conseguiremos colocar o JB para ajudá-la e mesmo assim e japa segurou as pontas, firme.
Como sempre o problema é médico, não tem, ou melhor, tem a KT que só para manter a rotina, já está se dizendo doente e que não aguenta continuar etc.
O plantão promete. Sem médico atendendo a porta os pacientes começam a “vazar” para a emergência no que tumultua demais o trabalho no corredor.
Uma jovem de 23 anos entra na sala de emergência, refere dor no peito e não estar sentido os braços. ECG pronto, avaliada, diazepan e casa. Sorte nossa o Dr FS chegou e o plantão começa a ter resolutividades.
Na sala ao lado a paciente da morte encefálica parou. Ainda tentamos a reanimação, no entanto ela não voltou. Primeira perda da noite .
A AND traz um problema, a assistente social trouxe uma senhora de cem anos para fazer exame. Não temos macas e a centenária senhora é acomodada em uma cadeira ao mesmo tempo em que pede para a AND.
- Minha filha, eu durmo cedo. Só preciso de um copo de leite quente e uma cama.
O coração da italiana amoleceu, e ela providenciou tudo o que foi pedido. A vó dormiu a noite toda sem solicitar mais nada.
As “emergências” não param de chegar ou acontecer cólica renal aqui, dor de cabeça ali, cólica menstrual acolá e vamos tocando o barco. Até que chega uma senhora em cadeira de rodas empurrada pelo filho. Alcoólatra, foi atendida pela KT que mandou-a para soroterapia. A AND, ainda bem, não obedeceu. Colocou a paciente em uma maca e me chamou. Juntos puncionamos a veia e logo eu pedi:
- Vamos levar pra emergência, esta paciente não para soro e ela vai parar.
Não demorou, chegamos na emergência, soro instalado e paciente parada. Mascara laríngea, massagem, choques, drogas... Tudo que podia ser feito foi feito e ainda assim perdemos a paciente. Desta vez tive que me controlar para não falar tudo o que pensava. Minhas colegas VC e AND, por me conhecerem bem, trataram de assumir a papelada, pois se eu fosse fazer o desfecho seria desagradável.
Ainda teríamos uma paciente da clínica, transferida em choque para a emergência. Soro, cateter central e noradrenalina. Evoluiu com arritmia e tome ancoron, aí fez bradicardia mais nora e muita torcida para que a passássemos viva no plantão. Conseguimos
No corredor um paciente com tumor de reto precisa de uma jugular para receber sangue. Fácil.
Mas uma veia aqui, outra ali e as coisa vão se encaminhando.
A partir daí o plantão foi no embalo. Sem maiores novidades até a madrugada quando a AND teve que atender um EAP que ganhou um tubo.
Faltam poucos minutos para a passagem de plantão. Estamos no fundo do corredor observando a multidão que esteve sob nossos cuidados e eu converso com a VC.
- Dá uma olhada nisto, que doideira.
- É muita gente, responde a loira, e todos sobreviveram, menos dois.
Não pude deixar de rir do humor macabro de minha amiga. Realmente todos, menos dois eu diria que morreram somente dois, em vista das circunstancias...
Fim de plantão. A alegria de ver os colegas da manhã chegando é indescritível. Deixamos para trás um PS abarrotado de pessoas e saímos com a certeza de que fizemos o melhor. Ainda que este melhor não tenha sido o suficiente para que tivéssemos 100% de sucesso.
Ah, alguém pensou que o plantão seria calmo?
Até amanhã.
O mundo é um lugar perigoso de se viver, não por causa daqueles que fazem o mal, mas sim por causa daqueles que observam e deixam o mal acontecer. Albert Einstein
Como a enfermagem e importante!!!! Sou leitora assídua do blog, que deveria ter mais publicações, e conheço pessaolmente o drama/prazer que e viver a enfermagem. mas lendo ste blog sinto orgulho de ser chamada da enfermeira.... Parabens vocês sao meus heróis e heroínas e o enfermeiro J deveria abrir espaço neste coração para alguém cuidar dele.... Ate masi
ResponderExcluirANR
concordo com vc rubia
ExcluirRubia, entra na fila.kkkkkkk
ExcluirEstou de olho já faz tempo. Que e homem já me confirmaram, solteiro também , só nao sei se tem alguma felizarda na história
Quanto ao blog... Delicia neh?
Suelen
concordo com vc rubia tbm leio sempre o blog e todos os dia entro pra ver se tem novas publicações...naum sou enfemeira sou uma simples auxiliar sonhando em ser um dia uma enfermeira mas dou o meu melhor no meu trabalho q é um tanto rejeitado pela sociedade e governo trabalho em psiquiatria em sonho com uma emergencia creio q um dia chegarei lá.
ResponderExcluiramo esse blog
ResponderExcluirConheci o blog através do é? humm
ResponderExcluirPaula
Conheci o blog pelo face de uma amiga.
ResponderExcluirO J. é solteiro??? hummm
A médica mandou a paciente para soroterapia, mas não foi feito isso. Que sinais você percebeu que o correto era fazer o que vocês decidiram... como vc soube que ela ia entrar em parada.
ResponderExcluirGrata,
enfermeira querendo aprender mais.
P.S: Não demore postar! Estou acompanhando seus blogs, menos o de política etc.