segunda-feira, 6 de junho de 2011

Domingo especial

insatisfação Como já postei antes, domingo não deveria ser dia de plantão. Domingo de sol é para curtir e domingo de frio para dormir. Até o deslocamento para o trabalho é chato, melancólico. Hoje está frio, muito frio.

São 17h30min e já estou no PS, converso com os colegas. Intero-me dos pacientes e decido me ocupar. A DN me passa o plantão da emergência e ao chegar a um paciente idoso e com DPOC diz:

- Eu achei que ele fosse parar antes do fim do plantão.

- Teu plantão não acabou, ainda.

- Vire esta boca pra lá

Estou no posto e uma colega me chama:

JQ, você pode me ajudar?

- Meu nome é J, o JQ é v***, eu não.

- Ai se ele escuta...

- Se ele escuta vai dizer: “A diferença entre eu e o J é que eu sou assumido”

Tão logo ele fica sabendo da brincadeira disparou o que eu esperava:

- Sabe qual a diferença entre nós? Eu sou assumido e você não. Mas que tem vontade tem.

Rimos e voltamos ao trabalho. O paciente da DN não contrariou as expectativas e antes que o plantão dela terminasse o paciente parou. Iniciei a RCP e o JQ logo entrou para ajudar, foi lindo, tudo bem sincronizado, passo a passo e sem atropelos. O paciente voltou. Não sei se conseguirá sair desta, mas conseguimos trazê-lo de volta naquele momento e isto me deixou feliz. Ao final da RCP meu plantão começou de fato. A equipe da noite chegou o AN também. Estamos ele, RN e eu. Ao chegar o RN troca de setor comigo, ficarei na Emergência e ele na triagem.

O PS para se chamado de lotado teria que ter uns dez pacientes a menos. Não há onde acomodar mais ninguém. Para ajudar temos falta. Ficaremos com três no corredor. Não vai ser fácil.

Começa a brincadeira, o SAMU traz a primeira da noite, senhora 56 anos com AVC prévio. Está edemaciada. Medicada, aguardará na maca a avaliação do dia seguinte. Em seguida os Bombeiros trazem uma senhora de 42 anos (Ops, quarenta e dois anos não é senhora) digo uma moça, (também não vamos exagerar) mulher de 42 anos vítima de atropelamento. Avaliada, liberada. Se continuar assim está bom. Entra e sai.

Plantão corrido, mas fluindo. O AN ajuda muito. Trabalhamos bem juntos.

Um esfaqueado, cirurgia, internação. Nem consegui saber direito o que aconteceu. Mas vai sobreviver.

As coisas vão acontecendo e se resolvendo sem grandes complicações. Uma pressão alta. Várias diarréias, várias mesmo.

Conversas no posto giram em torno dos assuntos de sempre, família, maridos, mulheres, filhos. Ah, e o bom humor da RSM também foi assunto, como uma pessoa pode ter tudo na ponta da língua. Eu gostaria que ela tivesse trabalho com o RN, não teríamos paz.

Observo os membros da equipe, diferentes entre si, cada um com sua história, suas angústias e alegrias. Alguns passando por momentos difíceis em suas vidas e todos aqui. Queria saber o que pensaria um paciente se soubesse que a RSM para estar aqui sorrindo e de bom humor, deixou duas bebês em casa, a N deixou a netinha recém nascida que a ML apesar de separada ainda providencia cuidados ao ex marido, a AL com sua luta para criar os filhos…  e tantas outras histórias.

Dicotomias a parte, volto para a realidade, um rapaz transferido de um periférico com “dor no peito”, ECG e medicação. Nada de urgência. Encaminhado para a soroterapia se revoltou e foi embora. Queria atenção e preocupação da irmã e namorada. E ainda saiu proferindo palavrões  dizendo que foi mal atendido. Alguém faz uma rápida análise:

- Ele chegou há uma hora e meia, realizou ECG, exames de sangue, foi diagnosticado medicado e ainda acha que foi mal atendido. Fala sério…

Concordo mentalmente.

Tudo vai bem até que uma paciente que estava na emergência apenas para observação começa a reclamar.

- Estou passando mal...

O que a senhora está sentindo?

- Não sei meu filho, estou mal, tá vazio...

Se existe uma coisa que me deixa preocupado é quando o paciente diz que não sabe o que está sentindo. A face de agonia que ela apresenta é assustadora. Observo o monitor batimentos cardíacos em 60, 55, 50, 40, 37

- RN, chame o clínico para nós.

A AL me ajuda, a paciente não está bem, retiramos as próteses e nos preparamos para o pior.

- Uma atropina.

Ela apresenta ligeira melhora o MC chega, confirma a atropina e reavalia. Iniciamos noradrenalina e ela ficará bem até o final do plantão.

Final do plantão que já está chegando. Hoje saio as 04h30min, me despeço do RN e do AN.

- Valeu meninos, até dia 13.

- Até dia 13.

Estas folgas servirão para que eu me prepare para a nova fase.

Estou feliz, hoje foi meu último plantão com a AB, isto faz deste domingo um dia especial, realmente não há mal que sempre dure…

Até mais.

5 comentários:

  1. Nossa, quantas folgas... Bom descanso!

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  2. Hei J, vc esqueceu de descrever o DR H durante a parada. KKKKKKKKKKKKKKKKKK

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  3. Mama mia e o frio que estava ontem, coisa pra esquimó

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  4. E agora como vai ficar a minha leitura obrigatória, com tantas folgas!!!!!!!!!!!!

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  5. Como uma pessoa que tem tantas folgas pode reclamar de alguma coisa. Deixeide ter dó dos seus dramas viu! Você sabe qual é o melhor dia na vida de um plantonista? O dia da folga,então pronto. Quando eu crescer quero trabalhar neste paraíso viu! KKKKK

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