quarta-feira, 11 de maio de 2011

Terça feira emergências e posturas

 caBO DE GUERRA17h45min, registro meu ponto e vou para o PS. Está um horror. Lotado, pacientes ainda sem reavaliação e um zum-zum-zum que não me agrada. Faço a escala, está difícil, muitas folgas e corredor lotado. Mesmo assim consigo manter quatro auxiliares no corredor. Um na medicação e um na soroterapia. Recebo o plantão e começamos nossa maratona. Hoje estamos RS, AN e eu. O corredor lotado, dois no puxadinho, dois na emergência, remoções para fazer. “Caramba, hoje vai ser divertido” – penso enquanto tento organizar mentalmente meu dia.

Começa a brincadeira, uma paciente com retenção urinária vem do consultório. Queixa-se de dores abdominais. Levo-a para emergência, medicação, sonda de alívio e ela se sentirá melhor. Estes pacientes são complicados, a equipe de auxiliares não os enxergam como emergência. Ao mesmo tempo, sei que a dor é insuportável. O Enfermeiro tem que se posicionar junto a equipe e manter sua conduta. Foi isto que fiz. Enquanto a AL medicava esta paciente outra paciente entra na emergência ao lado. Mulher 50 anos em crise convulsiva, medicada e liberada para o corredor. No corredor um senhor de 80 anos aguarda reavaliação da ortopedia. A filha está nervosa, procuro não entrar na dela. Chamo o ortopedista (que já tinha sido chamado) ele pede novo raio x. Levo o paciente para o raio x e volto para a emergência.

Ainda estamos arrumando a emergência quando ouço gritos no corredor da medicação. Corro para lá: encontro um senhor de 64 anos caído no chão com a face roxa e a cabeça sangrando. Enquanto me dirijo ao paciente escuto frases como: “Aqui precisa morrer para ser atendido” , “Ele está morto”, “Moço salva meu pai”, “esses f** da p*** são muito devagar” entre outras, parecia um filme. Um corredor lotado de pessoas potencialmente agressivas e nós tendo que fazer o nosso trabalho..

Concentro-me no paciente.

- Cânula de Guedel, ambú e maca. Rápido.

A AL me traz duas cânulas, a NS vem com a maca, rápidas evitaram que o tumulto aumentasse e acima de tudo não deram ouvidos aos insultos. Introduzo a cânula, colocamos na maca e vamos para emergência. Estas meninas estão cada dia melhores. Ventilações com ambú e ele está de volta. Está confuso, precisa ser contido e sedado. O WD, clínico de plantão, pede o laringoscópio.

- Para que? – pergunto.

- Vou entubar.

- Para que?

- Parada respiratória, tem que entubar.

- Ele está em respiração espontânea. Monitor, oxigênio e veia, doutor.

- Quero entubar.

- Mas não vai mesmo. Não comigo aqui e com minha equipe.

Por sorte, do paciente, outros médicos intervêm e concordam com minha avaliação.

- Então quero pressão arterial agora.

- Vamos ver já.

- Quero agora.

- Escuta, se você quer dar show vai lá pra fora. Aqui é no nosso tempo. A pressão inicial está anotada na ficha. Se você não fez nada ainda ela só pode ter aumentado. Não queira aparecer na frente de familiares que já estão estressados. Se ele fosse atendido adequadamente quando passou por vocês, talvez, não estivesse aqui.

Isto foi o suficiente. Mais uma vez tive que manter minha posição, para o bem do paciente e respeito da equipe.

Chega o NL, clínico que deu o primeiro atendimento, mais experiente sabe das complicações. Prescreve, pede tomografia e se propõe a acompanhar o paciente, coisa rara. Normalmente preciso ficar brigando para um médico ir com a ambulância. Fim da emergência. O paciente está responsivo e os filhos mais calmos. Ele fez a TC, uma imagem estranha chama a atenção parece um tumor cerebral, explicaria as convulsões que os filhos relataram mais tarde. Vai aguardar o neurologista para amanhã.

Avalio um paciente que aguardava uma avaliação do neurocirurgião no corredor. Sua tomografia é clara tem um sangramento no cérebro. Mexe daqui, cobra ali e ele vai para a avaliação. Ficou, precisa ter o cérebro operado para drenagem. Estava bem. Glasgow 15.

o AN tem outro problema, uma moça com gravidez ectópica e hemoglobina de 06. Precisa ser removida com urgência para um hospital especializado.  Ele foi com a cirurgiã de plantão. A paciente ficou. Hoje é dia de remoções urgentes.

O resto do plantão foi mamão com açúcar, um enteroclisma que virou tumor de reto, uma cefaléia por hipertensão, uma senhora de 84 anos com pneumonia que recebeu alta hoje e voltou porque está com febre. Medicada, liberada.

Madrugada a NR me chama para avaliar um paciente na medicação, dispneico, queixa de dor no peito e tosse.

- Tem febre? – pergunto.

- Sim, toda tarde

- Suor?

- Muito

- Catarro?

- Muito. Estou escarrando sangue há 04 dias.

O Raio x não deixa dúvida, tuberculose. Internação e isolamento

Plantão corrido, mas tranqüilo. Por hoje acabou.

Passo o plantão para o AN e RS.

- Plantão tranqüilo. Sobrevivemos.

- Até amanhã

emergência

4 comentários:

  1. Eita nós!!! Vai pensando que é boy... eu não trabalho num lugar destes nem por 20h/sem
    Força e parabéns pelo dia do enfermeiro amanha

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  2. Não acredito, vcs salvando o cara e ainda ouvindo desaforos. É brincadeira a população deveria ir xingar o prefeito, governador e políticos em geral

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  3. Ainda assim, vocês fazem o melhor. Aquele lugar só funciona porque tem J e equipe MC, AN, RS, LN,PT, NS, DB, N, ML, AD. ED e outras siglas mais. Parabéns a vocês na semana da enfermagem

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  4. Parabéns para a equipe e pelo dia da enfermagem.Este blog é um vício...

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