terça-feira, 17 de maio de 2011

Segunda feira: Frio e filas

frio Está frio. A viagem de minha casa até o hospital foi longa e dolorosa, há tempos não sentia tanto frio sobre a moto. Chego ao hospital por volta das 17:30 registro meu ponto e vou direto para o PS. AO PASSAR PELA PORTA VAI E VEM UMA SURPRESA AGRADÁVEL: Não está lotado, temos macas vazias e poucos pacientes no corredor. Faço a escala, está tranqüilo, temos funcionários suficientes. Confiro minha escala estou na triagem, não vou trocar. Ficarei lá. O início de meu plantão é no corredor mesmo, punciono uma veia aqui, avalio um paciente ali. Até que recebo o plantão e começa, de verdade, o plantão noturno. Vou para triagem; um susto.

O corredor dos consultórios está tomado. Uma fila imensa de pessoas insatisfeitas e resmungando coisas como: “Este hospital é uma m***” “Aqui só morrendo para ser atendido” “Está todo mundo batendo papo” e por ai vai. Já aprendi a “não ouvir” estas coisas. Entro no consultório e constato motivo da fila: PT, a clínica, está só para atender a todos. Obviamente que para atender com o mínimo de segurança tem que demora mais de dois minuto por paciente, como o fluxo não pára a fila aumenta.

A SC está escalada comigo, como vai chegar atrasada pedi que a PR, que sai as oito, cobrir a triagem e vamos começar a brincadeira.

- Próximo.

- Doutor, estou me sentindo estranho - diz um jovem de 17 anos.

- Estranho como?

- Sei lá, entende, tipo assim, estranho com febre sei lá.

- Tudo bem é só aguardar.

A próxima uma garota, 19 anos.

- O que acontece?

- Não sei, nada pára em meu estômago, tenho náuseas e vômito.

- Quando foi tua última menstruarão?

- Dia três do mês passado.

- Sexo sem proteção?

- Tomo injeção

- Tomou este mês?

- Esqueci.

- Hum...

Mais tarde descobriríamos que ela vai ser mamãe por volta de Janeiro do ano que vem. Não me pareceu feliz da vida com a notícia.

Um rapaz com o “pescoço inchado”: Caxumba.

Uma senhora com hipertensão.

De repente um rapaz entra no consultório:

- Doutor olha o que está acontecendo comigo...

Edemaciado, com hiperemia pela face e dispnéico: Reação alérgica. Emergência, flebocortid e fernegan os dois “efes” da reação anafilática em hospital público. Resolvido. Pode voltar para fila depois a fim de receber alta.

Um senhor de 70 anos. Está tremendo. Sinais vitais normais. Está agasalhado. Decido passá-lo à frente. Uma mulher na fila (a primeira) não gosta:

- Vai passar mais um na minha frente?

- Sim, ele é idoso e está mais grave que você.

- Como sabe que não estou grave?

- Está brigando à toa, então está bem. (risos na fila)

- E se fosse tua mãe na fila?

- E se fosse teu pai doente?

Neste momento os demais ocupantes da fila se posicionaram a pediram para que a mulher ficasse quieta.

O telefone toca. Era a N me chamando para tomar um fresquinho. Mais tarde a ML também chama para mais um. A noite está fria. Serão umas quatro ou mais garrafas de café até o fim do plantão.

Madrugada, eu vou para dentro. Está tranqüilo. Emergência vazia, corredor com vagas. Está frio e a maior parte dos pacientes não tem cobertor. Deprimente. Tento não pensar no assunto, mas ver um idoso na maca sem uma coberta decente e não sentir nada está além de minha capacidade de abstração.

Reunimos-nos no balcão e a conversa rola solta, rimos. A PT reclama que desde que foi para a SEMI não apareceu mais no Blog e não quer ser tratada de PT I então a partir de agora é PTM. Hoje vai aparecer. A RSM nos faz rir com suas tiradas rápidas, TS reclama que errei seu nome no último post. PT conta sua experiência no outro emprego. Estou feliz por ela, enfermeira ela estava precisando de emprego na sua função.

O resto do plantão foi mamão com açúcar. Muito tranqüilo. Conversamos rimos e tomamos café. Estou tão tranqüilo a ponto da NS comentar:

- Não é o J que está neste corpo hoje. (risos)

Fim de plantão, todos felizes, nada mais sério aconteceu. Plantão calmo, mas nem só de adrenalina vive um enfermeiro.

Até amanhã.

COMENTE (2)

2 comentários:

  1. Gostei desse plantão hoje, hem!!!!!!!!!!!

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  2. Passei a noite trabalhando e nem sabia do frio que estava lá fora... Dentro dos quartos, ar condicionado "a gosto do freguês" e cobertores a vontade... Nós (profissionais) também estávamos protegidos... Estou com vergonha de minhas reclamações...

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