pmdv
Ninguém é suficientemente perfeito, que não possa aprender com o outro e, ninguém é totalmente desttuído de valores que não possa ensinar algo ao seu irmão.
São Francisco de Assis
Hoje é um dia atípico, chego bem mais tarde devido a treinamento no emprego numero dois. E ao chegar encontro a AND que me acompanha até o PS já me prevenindo do que eu encontraria.
- J. Isto aí está um inferno...
- Adoro.
Ao abrirmos a porta vai e vem o Vietnã se apresenta: lotado, com macas ainda desorganizadas e a equipe tentado dar conta de tudo. Na emergência quatro pacientes, no corredor... Sei lá quantos, só sei que são muitos. Uma falação incessante, um vai e vem de médicos, acompanhantes e pacientes que dificulta ainda mais qualquer tentativa de organização.
Na administração a AL vem fazendo um trabalho excelente, adianta todos os
documentos de forma que sobra tempo para eu ajudar na assistência, faço a ronda. Confiro as escalas pelo hospital e “subo”.
No corredor um senhor de 60 anos com HDA, está apresentado hematêmese em grande quantidade. Precisamos transferi-lo para a emergência, o problema é lugar. As salas estão lotadas. Na primeira uma intoxicação exógena grave, e um idoso com AVC. Na outra uma jovem AVC-H e um baleado preso e escoltado. Pensa, decide, muda de ideia, pensa de novo e mandamos o baleado para a masculina, como extra. O JB “adorou”.
O paciente vai para emergência, para endoscopia e descobre que tem um tumor no esôfago que está sangrando. Vai requerer atenção à noite toda, soros, transfusões e medicamento na tentativa de mantê-lo estável.
Para ajudar o paciente da intoxicação exógena começa a vomitar e babar em grande quantidade. A coisa não está boa. LC e SD correm de um lado para outro para dar conta dos dois enquanto resolvemos outros problemas no corredor.
MC, AND e VC, me colocam a para da correria que foi até minha chegada para colocar o plantão em ordem. Elas realmente ralaram até agora.
- Agora está bem, completa a MC. Isto aqui as 18:00 estava um inferno e estas aqui acham que eu não fiz nada, ficam mandando eu adiantar lá no fundo...
As três iniciaram uma discussão sobre quem tinha razão sobre algo de importância nenhuma com a única intenção de me colocarem em saia justa e decidir por uma delas... Não pensei duas vezes e soltei:
- Sou igual ao Cadinho. Amo vocês três e não vou dar razão a nenhuma. (risos)
No corredor PT (catatau), FB (recruta) e ADR (Gloria), se desdobram para dar conta da multidão de pacientes e acompanhantes impacientes, e conseguem. Não sei como, mas conseguem e o fazem com sorriso no rosto e arrumam tempo para acharem graça da situação.
A noite avança, VC e AND, providenciam um lanche para eu comer, salvando a noite, já que desde a hora do almoço, não havia comido nada e hoje, para ajudar não tem MN e sua marmita deliciosa.
Uma criança com reação alérgica, preocupa a AND e eu. Dedicamo-nos a ela. Punção, medicação e deixamos o “Pokémon” na maca com o sono velado pela mãe agradecida. A AND só chama as crianças de Pokémon.
Temos dois presidiários no pronto socorro. Descemos um para a clínica cirúrgica onde vai aguardar a ambulância do presídio para leva-lo de volta. O outro, com um tiro na nádega, ainda espera uma decisão a respeito de sua situação. De repente chega um rapaz de terno e pergunta por ele. O preso se ilumina:![]()
- O senhor é meu advogado? Ainda bem.
- Não. Sou o delegado. Vim te autuar e prender.
- Car**** agora estou fu##### mesmo.
Plantão lotado, mas tranquilo. Aos poucos todos os problemas vão sendo equacionados ou resolvidos o único problema que não vamos resolver é o da PT, ela quer um tubo para a pesquisa de sangue oculto e vai perguntar para a AND.
- Qual o tubo para este exame?
- É o que heim? Não tem tubo. Isto é exame de
fezes, usa o potinho...
- Aff, é mesmo.
- Esta tem que ir para o blog do J. (Já foi)
Não bastasse ela leva o material com o pedido sem assinatura e o laboratório recusa e ela volta.
- J, o pedido não esta assinado. Tive que voltar. Acredita?
- Não liga não, catatau. Este exame é uma m@#@# mesmo. (risos)
Com a chegada da manhã, conseguimos ter a dimensão do que foi a noite: corrida mas, resolutiva. Não perdemos ninguém. A mãe do “pokemon” me procura:
- Moço, muito obrigada. Vocês trataram o meu filho com tanto carinho, que nem sei como agradecer...
- Como não sabe? Já está fazendo e direitinho.
- Nossa, nunca vi. Com tanto trabalho e vocês rindo, tratando a gente bem. Obrigada de coração.
- Pode parar moça, senão eu choro. Aí vai acabar com minha fama de mal.
Olho para a SH que trabalhou a noite toda com Holter, devido a uma arritima cardíaca, para a LC e SD que resolveram não sair as seis, seu horário normal, para continuar ajudando o plantão. Observos as tres do corredor, PT, FB e ADR e percebo que elas estão me ensinando o significado de doação e comprometimento.
Passamos o plantão.
Agora é enfrentar os problemas pessoais, já estou com saudades do trabalho
Até amanhã.
Comece fazendo o que é necessário, depois o que é possível, e de repente você estará fazendo o impossível.
São Francisco de Assis
Fala a verdade, com o J. é facil ser elite.... O menino é um trator, sai levando tudo e ai de quem se meter com a equipe dele. Tem gente que ate confunde o jeito dele com truculencia, mas é amor mesmo. Amor a profissão e aqueles que trabalham com ele. Desde que trabalhem mesmo, Adooooooro. E vou falar uma coisa se estas meninas demorarem mais um pouco eu vou investir... Aé já é.
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