terça-feira, 13 de setembro de 2011

Segunda- feira. CAOS tem outro nome: PS

A noite já está caindo quando chego na rodovia que me leva ao emprego número 1, tenho a impressão que vou chegar atrasado. Atrasado mesmo, depois das 18:30. O transito é uma coisa de doido. Enquanto passo pelos carros penso que horas chegaria se estivesse em um deles.

Chego cedo, a tempo de respirar um pouco e pensar como será o plantão, estamos sem enfermeiros, e isto é um problema sério.

Decido que ficarei no PS, se é pra ficar na assistência fico aqui.

O PS está parecendo a faixa de gaza. Ou seria torre de Babel, uma confusão generalizada, uma multidão de pacientes mal distribuídos e que, apesar da passagem de plantão, levaremos umas duas horas para entender e organizar.

Recebemos o plantão, a escala está pronta. E os auxiliares começam o trabalho.

Já virou rotina, primeiro eles organizam e separam homens de mulheres, depois a técnica de enfermagem distribui os pacientes e então começa a assistência propriamente dita.

Fico orgulhoso quando vejo que algumas coisas que pareciam impossíveis, como a separação por sexo no corredor, agora são executadas de maneira natural.

Chamo a AD, técnica de enfermagem e minha vítima favorita quando o assunto é delegar, depois da AD enfermeira.

- AD, vamos esvaziar a sala de admissão, encaminhar os exames e ver se tem alguém que possa ser reavaliado para receber alta.

Enquanto avaliava um menino de treze anos com fratura no tornozelo e uma mãe super ansiosa sou chamado na emergência: PCR.

Mais um motivo de orgulho a VR, enfermeira que a pouco estava insegura em suas funções coordenava o atendimento de forma segura e metódica. Sorri para dentro e quando o paciente voltou percebi uma sala cheia de orgulho tanto dela quanto dos auxiliares que a ajudaram. Sem contar que ao chegar à sala o clínico encontrou o paciente com a circulação restabelecida. Equipe DEZ.

O garoto da fratura do tornozelo continua com dores, recebo o raio x e chamo o ortopedista. Dr JP, bom médico, comprometido. Não demora a decidir fazer a redução e acabar com o sofrimento do menino. Vai para casa repouso por seis semanas, no mínimo.

Um senhor me chama no corredor, quer que eu arrume um quarto imediatamente para seu parente. Argumento que não temos quartos e que não há o que eu possa fazer.

- Você é um incompetente – dispara.

- Se o senhor pensa assim...

- Você estudou para que? Burro!

Ia responder quando lembrei que minha função não permite responder a tudo.

- Depois eu converso com o senhor.

Uma hora depois ele me procura:

- Moço me desculpe, eu estava nervoso.

- Tudo bem.

-Desculpe mesmo, estou vendo que vocês estão se matando de trabalhar...

- Tudo bem – respondi, com vontade de mandá-lo caçar tatu

Volto para o meu trabalho, que não é pouco. Depois disto ainda terei que trocar algumas folgas e fazer o planejamento das férias de novembro, então é bom me apressar.

SAMU, acidente de moto x carro. Óbvio que o paciente não estava no carro. Avaliação, raio x e luxação do fêmur e fratura do acetábulo. Vai para o centro cirúrgico para redução da luxação e depois ficará aguardando cirurgia. Aliás, temos 14 aguardando cirurgia hoje.

O RF, auxiliar de enfermagem, me chama a atenção: uma garota com diagnóstico de estomatite tem pústulas por todo o corpo. Avalio e descubro uma varicela no meio do corredor. Outra surpresa, a menina tem 17 anos, a partir de agora nossa luta é para que a transfiram para uma unidade especializada em adolescente o que conseguimos já na madrugada.

O plantão vai tranqüilo, analgesias e higiene. Apesar de cheio não está complexo. Vamos sobreviver.

São 04:30 da manhã quando observo o corredor, organizado e silencioso. Sobrevivemos.

Vou tomar café com a AD, enfermeira. Falamos de família, filhos, dinheiro (falta de) e eleições do COREN.

Fim de plantão a AD me lembra:

- Ainda bem que no próximo estou de folga.

- É eu já esperava, dois plantões e uma folga

- Senão não dá.

- Então até sexta

- Até Sexta AD, obrigado por hoje

- Até amanhã leitores, hoje ainda tem emprego numero dois.

Melhor assim.

Um comentário:

  1. Adorei a foto, pena que não é redonda que nem a sala do PS! Sem falar que o espaço do PS é bem menor mas o numero de pacientes sempre é grande, e tb tem os que ficam nas poltronas por falta de maca, olha J, vc deveria fazer um livro com tudo o que ve e escreve sobre o PS! Parabens!

    ResponderExcluir

Faça um ENFERMEIRO feliz. Comente