domingo, 25 de setembro de 2011

Quarta feira. Novos desafios…

São oito da manhã quando chego a meu novo local de trabalho. A conversa na Coordenação, assunto de meu diálogo com o BD no ultimo plantão do emprego numero 02, era sobre isto. Fui transferido para uma unidade próxima. Agora sou o responsável técnico da unidade, RT como eles chamam. Estranhei o convite. Afinal estou a pouco tempo no quadro de enfermeiros. Mas a coordenadora mostrou meu currículo e as observações escritas sobre meu desempenho.

- Deveriam me dizer isto aí pessoalmente – brinquei.

- Tenho certeza que fará um bom trabalho – completou ela.

- Vou me esforçar.

Chego cedo, sento-me na recepção e observo o vai e vem de pessoas. Em especial a equipe de enfermagem. Estou esperando pela coordenadora que vem me apresentar à equipe. Alguns passam, olham e nada dizem ou perguntam. Posso passar o dia todo aqui, sem fazer ficha que ninguém vai me abordar para saber se preciso de algo, estranho parecer invisível.

Depois de algum tempo me aproximo de uma enfermeira:

- Bom dia, meu nome é J. Vou começar a trabalhar aqui e estou esperando apor um colega...

- Então espera ai fora. Esta sala - a que ela estava - fica trancada. Devido ao grande numero de psicotrópicos.

- Obrigado.

Mais tarde chega um colega, substituindo a coordenadora, que não pode comparecer, e me apresenta à unidade. É um Pronto Socorro pequeno, com serviço de emergência e psiquiatria. A equipe de enfermagem é composta por 20 enfermeiros e 120 Auxiliares e Técnicos. Tem muitos problemas estruturais, poucos equipamentos e uma história recente que faria qualquer um recusar a chefia da unidade. Mas sou masoquista quando o assunto é desafio, por isso aceitei.

A colega da sala de psicotrópicos veio se desculpar:

- Desculpe, não sabia que você era o novo chefe...

- Eu não falei. Mas fico feliz que você se preocupe com a segurança.

Reuniões, apresentações, solicitações e gritos... Meu primeiro paciente;

Mulher 60 anos, segundo o filho ainda estava acordada no carro e acabou de “desmaiar”, verifico o pulso: parada.

Inicio as compressões e observo uma equipe assustada com a situação.

- Vamos lá gente, acesso venoso, ambú e chamem médico. Cada um faz uma coisa.

Distribuídas as tarefas, chega o médico e me olha como a perguntar de onde eu sai.

- É nosso novo RT – diz LL, enfermeira com anos de casa.

A paciente voltou, e será transferida para uma unidade terciária, precisa de UTI.

- Começamos bem, pessoal. Parabéns.

- É… O chefe entende do riscado – arrisca uma Técnica sem saber qual seria minha reação.

- Até que enfim, um que entende – diz outra já virando as costas

Voltamos às conversas e reuniões. Estou cansado. Tive uma noite exaustiva no outro trabalho.

Aguardo a troca de turno, mais reuniões.

A unidade fica tranqüila. Somente casos simples. Pressão alta, diabéticos descompensados, dores de cabeça...

Hora de ir embora. Estou cansado e a cabeça cheia de coisas para pensar...

Converso com o MC, enfermeiro do noturno.

- Eu já vou. Foi um dia cheio para mim.

- Mais uma vez,Seja bem vindo e boa sorte

- Até o próximo

- Até.

Até amanhã, leitores

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