sábado, 18 de junho de 2011

Plantão de sexta: Está faltando o que?

nao-ha-vagas-blog Mais um plantão diurno. Ontem, quinta feira, foi tranqüilo. Lotado, mas dediquei quase todo meu tempo aos assuntos administrativos. Hoje volto para a assistência. Não há como esquecer a assistência com o PS na situação que se encontra nos últimos dias. Chego as 06h30min e não encontro grandes mudanças com relação ao meu último plantão. Meu colega do noturno esta visivelmente estressado. Entendo sua indignação, mas não há o que fazer. Não podemos simplesmente fechar as portas e não atender. Esta é a diferença do PS para outras unidades. Não temos limite de vagas.

Recebemos o plantão e temos missão igual a do plantão anterior. Faço a escala dos Enfermeiros e estes distribuem os auxiliares conforme suas necessidades. Não há o que pensar. Temos uma escassez de mão de obra, prestes a entrar em nível de insuficiência.

A emergência continua lotada, com seis pacientes. Com a chegada da TT, clínica e chefe de plantão de hoje, começamos a organizar as coisas. Há tempos não acompanho visita médica. Isto é bom, é o momento de traçar idéias, dar sugestões, ouvir o outro lado e aprender uns com os outros.

Plantão corrido, muitos exames, remoções e poucos auxiliares. Sinto falta de algo... Não sei bem o que é. Minha cabeça está tomada por situações particulares ainda não resolvidas e só tem uma forma de me livrar delas... Trabalho.

A brincadeira começa, as auxiliares do dia começam a entender minha forma de trabalho e são bastante colaborativas, Ainda não conheço todas e só decorei o nome de três ou quatro (coitadas delas, diria a DB).

Chega o primeiro SAMU, queda da própria altura. Jovem 20 anos dependente químico que caiu durante crise convulsiva. Aparentemente teve luxação no ombro. A Auxiliar do SAMU não gosta quando peço para que aguarde no “puxadinho”, quer pegar uma maca de qualquer forma.

- Enquanto tiver enfermeiro aqui, você aguarda ele providenciar e liberar a maca. Não entro na tua viatura e mexo nos equipamentos. Você não mexe nos equipamentos do PS.

Com a cara “alegre” ela se dirigiu ao local indicado e esperou pacientemente a liberação.

Cr, enfermeira, traz uma paciente na cadeira de rodas.

- J, ela estava no acolhimento e sente muita dor no peito.

- Deixa comigo.

A paciente está pálida, a descrição da dor me faz ficar preocupado, preencho um pedido de eletro e na hora de encaminhar mudo de idéia. E falo com a LD, enfermeira da emergência.

- LD, vamos fazer o ECG dela aqui. Não quero arriscar.

- Tudo bem.

Ela me ajuda em instantes temos o ECG na mão. Infarto confirmado. Iniciamos os tratamento. E em pouco mais de duas horas ela foi transferida para uma UTI em outro hospital. Fico feliz quando as coisas evoluem bem. Se não fosse a percepção da CR e atuação da equipe de emergência, teríamos perdido a paciente.

Tudo vai bem… ainda sinto falta de algo…

Um paciente transferido de uma policlínica chega com dores abdominais e sangramento uretral. Sua acompanhante, filha, está visivelmente bêbada e tenho que pedir para que a retirem do PS.

Faço o cateterismo vesical e o sangramento abundante chega a assustar. Mais tarde o JQ terá que repassar o cateter que foi retirado devido a dor que o paciente sentia.

Uma senhora com abdômen agudo inflamatório que recusa cirurgia.

Um senhor que foi para endoscopia e de lá para o centro cirúrgico com hemorragia intensa.

Uma funcionária que trás o cunhado para um exame devido a convulsões e descobre um tumor cerebral.

O dia transcorre sem grandes novidades. A emergência começa a ser esvaziada com altas para a enfermaria ou observação e um óbito. Não havia o que fazer a paciente já estava sofrendo há dias além da falência renal tinha hanseníase e agora estava sem pressão há horas. Um dos poucos casos em que não lamento. Às vezes o fim da vida é, também, o fim do sofrimento. De nada adianta a distanásia. Não somos deuses.

Quando menos espero o plantão chega ao fim. Conseguimos progressos hoje e eu pude avaliar melhor a equipe.

Fim do plantão. Chegam o AN e o LN para receber, conversamos um pouco. Aproveito para abraçar as meninas de meu antigo plantão.

Ah, descobri de que eu sentia falta. Bom, muito bom

- Até amanhã.

Estava saindo quando a SM me aborda:

- J, você fez nossa escala para o fim de semana?

- Caramba, esqueci.

Agora tenho mais algumas coisas para me preocupar.

Escala feita.

Até amanhã. Ops, até segunda.

5 comentários:

  1. E viva o final de semana!!! Vida de gente normal rs.

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  2. Afinal, do que mesmo sentias falta???????????

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  3. O azul não ameniza o "drama" do PS, mas ficou muito bom...

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  4. Vc esta fazendo falta. O Plantao noturno ficou órfão...

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