São 17h30min quando chego ao estacionamento lotado. Lembra estacionamento de shopping em véspera do dia das mães. Após duas voltas acho uma apertada vaga onde após algum tempo consigo encaixar meu carro. Este é um dos motivos que me fazem preferir a moto. Espaço. A impressão que tenho é que o hospital tem mais carros que funcionários.
Preciso chegar à sala da RG para imprimir as escalas mensais. Não deu tempo. Ao chegar a impressora já estava desligada. O funcionário ainda estava lá, mas já tinha desligado a impressora então não poderia imprimir. Já pensou o trabalhão que é ligar um computador? Ele vai perder três minutos importantíssimos em sua vida. Apesar de P da vida, não falo nada. Vou para o PS onde a visão é a de sempre o caos. Pacientes por todos os lados vai e vem de pessoas, falatório. Vou para o banheiro, troco de roupas e estou pronto.
A emergência está vazia. Isto pode ser muito bom ou muito ruim. Muito bom pelo fato de termos espaços para eventuais atendimentos. Ruim porque alguns médicos não podem ver a emergência vazia que querem monitorizar até unha encravada.
Recebo o plantão, chega o RN (chegou cedo hoje), fazemos a escala e vamos à luta. Hoje estou na triagem. Delícia. Não vou trocar. Pego minha maleta e vou para o consultório. A sala de espera está fervendo. Ânimos exaltados, demora de três horas para atendimento, tudo na mais absoluta normalidade.
- Boa noite, N. – cumprimento minha auxiliar de hoje.
- Boa noite, J. Você está aqui hoje?
- Sim. Vamos começar. Próximo!
Após varias dores de garganta, uma provável gravidez, uma pneumonia duas reações alérgicas e um acompanhante insatisfeito. Vou até o fundo ver como estão as coisas. Na medicação uma professora do curso de auxiliares me chama, a paciente tem veia difícil e ela ficou sabendo que eu não gosto que fure demais. Já tentaram três vezes.
- Pronto. - disse após puncionar em única tentativa.
Estou saindo e uma senhora chama minha atenção. Está na cadeira de rodas com o filho empurrando.
- Posso ajudar?
- Ela tirou a Sonda enteral em casa. Precisa de outra.
- Leve-a naquela sala – indico a sala de sutura e peço para a ML preparar o material para mim.
Em dez minutos o problema foi resolvido. Está frio demais. Após a sonda ML e eu preparamos luvas para a mão da idosa. Dupla finalidade, proteger do frio e evitar que ela tire a sonda.
Um jovem em crise álgica devido à anemia falciforme.
Outro com dor abdominal. Estranho, mandei para a cirurgia. Acertei. Apêndice.
Fim de triagem. Entro para ajudar os colegas. O corredor está detonado. Macas espalhadas, a TS me chama na feminina:
- J dê uma olhada na paciente do 04 para mim. Está se queixando de dor.
Avalio a paciente. Sente dores no peito e pescoço. Peço um eletro. Outro infarto. Emergência e de lá para a semi intensiva.
- Estou na triagem, hoje. – brinquei
A AB pede para que eu carimbe a escala.
- Tem bastante gente, comento.
- Mês que vem tem “menas pessoas” tem duas férias. - responde
O “menas pessoas” doeu no ouvido. Mas eu consegui sorrir para mim mesmo e sair.
SAMU, vítima de agressão. A mão do outro deve ter ficado destruída, pois o rosto do rapaz...
É tanto senhor e senhora além de outras gírias típicas que não resta dúvida da índole do rapaz. Raios x e maca. Ele quer a mãe.
Levo-o para o raio x. Chegou há uma hora e nada.
O frio aumenta muito. Já não consigo ficar sem a blusa de lã por baixo. Além disso, meu quadril dói muito. Olho em volta, ninguém disponível para uma medicação. Que dor chata.
Outro SAMU, outra agressão. No frio aumentam as agressões e diminuem as quedas de moto. Acho que pode estar relacionado ao consumo de álcool.
A RS me chama para assinar um relatório com ela, nossa caixa de psicotrópicos caiu e quebraram-se várias ampolas.
Ah, lembram-se da história da emergência vazia? Deram um jeito de monitorizar uma pseudo crise convulsiva e o rapaz da anemia. Médico não pode ver monitor desocupado…
Plantão tranqüilo, para mim. Está pegando fogo. Observo a dinâmica, ajudo em uma coisa ou outra. Faço meu horário de descanso e espero o fim.
Não tenho plantão para passar. Estou na triagem.
Até amanhã
Olá José!!!
ResponderExcluirSabe que seu post tem sido um "termômetro" para eu poder imaginar como pegarei esse plantão aí logo mais... rs
Putz... partiu meu coração a queda da caixa dos psicotrópicos! rs Ao menos, nossa negociação com a farmácia tem sido mais rápida e prática do que com a CME! rs
Bom descanso! Amanhã é nóis! rs
Bjosss
Caraca, porque te escalam na triagem? O blog fica chato e o PS uma zona kkkkkkk desculpa pelo chato vc escreve muito bem
ResponderExcluirEnfª Natalia Dias, concordo com vc. Só nao que o blog fica chato. É um vicio, parece plantão leio dia sim dia não
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