quinta-feira, 5 de maio de 2011

Quarta feira: Lavando roupas sujas

Mancando Livre - Homem Lavando Roupas Quarta feira. Com problemas para resolver, chego muito cedo ao hospital, são 15:00 e já estou na sala da RG para receber o veredito de um julgamento feito à revelia. Em hospital nada se esconde, por mais que tentem as informações vazam. Um sem querer aqui, outro ouvi dizer ali.

Dizem que roupa suja se lava em casa. Neste caso no trabalho. Por isto evitei tocar no assunto durante minhas folgas, mas as pessoas ligaram e me colocaram a par dos acontecimentos.

Óbvio que a AB, utilizou os fatos para vir com tudo contra mim. Ela não me suporta e eu não tenho intenção de alguma de investir nesta relação. Por motivos diversos, ainda não posso postar aqui as causas das reuniões que ocorrerão hoje, mas para que o leitor não fique no vácuo adianto que um paciente se referiu a mim como gigolô e v*** e eu, com toda minha fineza, retribuí os elogios. Resumo da ópera um monte de reclamações na ouvidoria do hospital e uma enorme dor de cabeça para a RG e, para a AB, uma munição preciosa.

A RG fica feliz com a minha chegada, chama a GR e começamos a reunião onde fica clara a intenção da AB de retirar-me do PS, mas o que ela não contava era  com a minha atitude.

- J, já ouvimos tua equipe e eles disseram que as coisas não foram bem assim – diz a GR- o que você tem a dizer.

- Que a minha equipe está tentando me proteger. Cometi um erro, impensado, injustificável e que não pode se repetir. Minha equipe ou meus colegas enfermeiros nada tem a ver com minha falha. O erro foi meu e assumo as conseqüências advindas dele.

- Você não nega.

- Não. Ele poderia ter sido evitado se uma série de fatores não contribuísse. Mas não foi evitado e eu não tive a calma suficiente para contornar a situação. Peço desculpas pelo ocorrido e tentarei não repetir.

- Então você não nega? – pergunta a RG

- Eu não vou mentir para me defender. A verdade é esta. Assim, quando eu falar não fiz tal coisa vocês terão a certeza de que eu não fiz. Não minto para me proteger.

- Gostei. Atitude positiva, reconhece o erro e não tenta culpar os outros.- completou a RG

A reunião demorou mais de duas horas e meia e ao final dela eu continuo no PS, ainda teríamos mais duas reuniões a este respeito. Uma com os auxiliares do Plantão e outra com os enfermeiros.

Chego ao PS, troco de roupas e começo a observar o movimento. Uma Enfermeira da Clínica médica chega com uma paciente na maca, fica parada no meio do corredor sem saber direito o que fazer. Intervenho e peço para alguém dar atenção à equipe que traz a paciente.

Uma senhora com lesões em toda a pele, com taquicardia e   febre, apo´s avaliar o paciente cobro do AD, clínico de plantão, uma avaliação mais completa.

- O que você quer que eu faça?

- Avalie a paciente, ela está parando.

- Não está parando, está com febre e com reação anafilática – responde - faça o flebo e dipirona.

Cinco minutos depois a paciente entrou em parada cardiorrespiratória, reanimada a tempo. Voltou. Após os trabalhos de ressucitação olho para o clínico e disparo:

- É ela não estava parando.

Ele permaneceu em silêncio

Uma criança com o pé fraturado, uma senhora com dor no peito e o plantão transcorreu sem anormalidades.

Outra reunião, desta vez com os auxiliares. Rápida. Agradeci a eles pelas declarações em minha defesa. Pedi desculpas pelo ocorrido e voltamos ao trabalho

Reunião com os enfermeiros. Aproveito para expor meus problemas com a AB.

- J, eu não tenho “rincha” com você.

- Teve ter vive caçando formas de me irritar. Trata enfermeiro como criança e isto eu não admito.

Ao final da reunião ela ouviu da RG que deveria nos deixar trabalhar em paz, inclusive cuidando de nossa própria escala. Tentou contra argumentar mas não tinha argumentos.

Converso com o LN:

- LN, você devia ser canonizado. Quanta paciência

- Que nada. Você viu ela falou “rincha” umas três vezes

- Acho que ela quis dizer rixa, mas “rincha” combina mais com ela

Rimos e volta,os ao trabalho.

Plantão sem graça. Nenhuma emergência mais. Tranquilo. Fui descansar um pouco.

Na volta um rapaz com intoxicação exógena. Diz que tomou 30 comprimidos de alguma coisa.

Sonda, lavagem gástrica e fim. Converso com o LN.

- Acabou, menino.

- É, está aí amanhã?

- Não estou de folga, de novo. Este mês vai ser f***.

- Então até o próximo.

- Até.

- LN, obrigado

-Valeu

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2 comentários:

  1. "Rincha" é uma especialidade da enfermagem que não exige curso de pós graduação, porém com milhares de "mestres e doutores"... Não adianta tentar outro local de trabalho,sempre existirá um. Eles selecionam a vítima e vão até o fim. Planejamento tático e operacional para pessoas que almejam "pequenos poderes". Quando triunfam, se sentem úteis e motivados a continuar valorizando as futilidades. Muitos envelhecem infantilizados e com distúrbio de auto percepção e auto crítica. É uma fuga,morrerão sem saber que demonstram ter um "cerébro" do tamanho de uma azeitona e uma "alma" menor ainda... Amigo, minhas condolências, "estamos juntos nesta luta:Pela valorização da competência profissional e inteligência moral e emocional!!!

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  2. Chefe, nós que trabalhamos com vc sabemos de uma verdade. VOCE È O MELHOR, Não interessa o que aquelas idiotas pensam, aguentamos tua chatice porque sabemos que vc é o único com quem podemos contar.

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